O Legado dos Esportes

O atraso na infra-estrutura brasileira é configurado como um dos principais segmentos que atrai investidores que buscam retornos elevados e rentabilidade em uma redução estrutural da taxa básica de juros.

Brasil, uma das maiores economias do mundo, passa por ótimas condições econômicas e vem se tornado um dos principais polos de investimentos no mundo, ao lado de países como a China e Índia. Espera-se que os grandes eventos que serão sediados no país – Copa do Mundo em 2014 e os Jogos Olímpicos em 2016 –  transforme o Brasil em um verdadeiro canteiro de obras com bilhões de reais sendo investidos.

Entre diversas possibilidades, o setor de infraestrutura, tido como o mais precário e fator limitador do desempenho da economia brasileira, é portanto, o foco principal na direção dos recursos empregados por empresas e governo.

Principais Investimentos

A construção de ferrovias, projetos de mobilidade urbana, plataformas de petróleo, hidrelétricas, entre outras obras, são fatores que refletem boas perspectivas para o setor, que deve melhorar a infraestrutura do país até o fim desta década. Segundo a Sobratema (Associação Brasileira de Tecnologia para Equipamentos e Manutenção), estima-se que 12.265 obras com investimentos previstos de R$ 1,479 trilhões serão empreendidas até 2016. Outros fatores que caracterizam as ótimas perspectivas do setor são as oportunidades no segmento de máquinas e equipamentos e insumos. Além disso, novos negócios poderão ganhar impulso significativo diante das perspectivas dos leilões de mais de 15 mil quilômetros de transmissão de energia elétrica em 2012 e 2013, novas concessões de aeroportos, rodovias, e o projeto do Trem de Alta Velocidade (TAV).

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Prevendo atender esta demanda, as vendas de equipamentos de construção no mercado brasileiro passaram de 41.360 unidades em 2009 para uma projeção de 88.565 em 2012. Soma-se a isso o fato de os investimentos projetados não estarem apenas na esfera governamental, com crescente interesse de grandes empresas nacionais em oportunidades do setor com autofinanciamento em grandes projetos, além de grandes recursos de empresas estrangeiras destinados ao mercado brasileiro, como grandes empresas chinesas de energia elétrica.

Segmentos em Destaque

Dentre os segmentos que mais se destacam pela participação do montante de investimentos, temos o segmento de óleo e gás com 300 obras e 679 bilhões de Reais até 2016. Estima-se um investimento de 343 bilhões de Reais nas áreas de transportes e vias urbanas em 1.136 obras. Além disso, áreas de energia, saneamento, industrial, hoteleira, habitação, infraestrutura esportiva e shopping centers consumirão investimentos da ordem de 10 bilhões de Reais.

No entanto, o setor enfrenta desafios significativos. O gargalo na oferta de mão de obra, a competição de novos players que ameaçam alguns setores da indústria local, e a necessidade de novas fontes de financiamentos de longo prazo – hoje concentrada em três instituições financeiras – são questões que ainda precisam de políticas governamentais de desenvolvimento.

Concentração de Recursos

A concentração das fontes de financiamento com vencimento superior a cinco anos, principalmente no BNDES (60%), prejudica a dinâmica necessária para o setor se alavancar. É necessário ter outras formas de financiamento como debêntures, concessões e Parceiras Público-Privadas. Dependendo da linha de crédito, o BNDES pode deter fatia entre 70% e 95%. Apesar disso, o governo planeja reduzir a presença do banco, com esforços na criação de um mercado de dívida privado por meio de títulos incentivados.

Perspectivas

Por fim, entre 2006 e 2009 o Brasil investiu 2,1% do PIB em infraestrutura, bem abaixo dos 5% a 7% investidos em países asiáticos. Esse percentual pode subir para 2,5% a 3% do PIB, segundo estudo com as obras até 2014. Este panorama reflete que o país estima investir mais recursos, mesmo que abaixo de outros países emergentes. Isso mostra que o otimismo no setor tem potencial para ser ainda muito maior.

Fonte: Valor Setorial – Infraestrutura; Sobratema

Vinicius Biagi Basílio (vinicius.basilio@camaya.com.br) é analista  na Camaya Partners

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